domingo, 18 de dezembro de 2022

Árvore de Natal

 


As luzes brilham, uma música alegre toma o ambiente, uma bela árvore de natal colorida é enquadrada, Leleca está saltitando, ao lado de paçoca, sua amiga menor, as duas brincam com um boneco animatrônico, Leleca fala.

- Sabe o que dia é hoje?

- Sim! É natal - Paçoca dá as mãos para o boneco e começa a brincar com ele - Dia de ligar a árvore.

- Isso mesmo - Leleca olha para a câmera sorrido - Vocês estão convidados amiguinhos, hoje a meia noite vamos ligar a árvore de natal, ao vivo. 

- Corta - uma voz irrompe o programa, as luzes se acendem e as atrizes param - Muito bom.

Anabel (Leleca) de 30 anos e Kate (Paçoca) de 18 anos saem das personagens, o animatrônico se senta, desligado.

Ash, o diretor se levanta desanimado, dando tapinhas no ombro de Fred, o operador de câmera.

Erin a produtora assiste olha seu relógio 22h30m, em seguida chama a atenção dos presentes:

- Ânimo gente, as projeções indicam que teremos a maior audiência do nosso programa.

- Que ótimo - Anabel olha frustrada - Foi pra isso que vim para Hollywood, dançar com um bonecão idiota na frente de uma árvore de natal.

- Você tem problemas? Tenho 18 anos e ainda estou em um programa infantil! Você sabe o que acontece com estrelas infantis?

- Não é pra tanto - o diretor interfere - você tem milhares de seguidores…

- Grande merda! Não quero ficar sendo chamada para filmes de terror vagabundos ou comédias infantis.

- Experimente chegar aos trinta, com seu grande papel como uma irmã mais velha, que cuida de uma menina e seu amigo imaginário.

Anabel chuta o boneco, o que irrita Pedro, o operador do boneco, Erin interfere.

- Não me interessa nada disso, estão todos sendo pagos, muito bem pagos aliás, a meia noite em ponto vamos ligar aquela câmera, ligar a árvore de natal e celebrar nossos anunciantes. 

Ela dá as costas e vai para seu escritório, Pedro volta para seus afazeres, as estrelas do show vão para seus camarins.

F- Ei chefe - fred chama a atenção de Ash, o diretor - vou fumar do lado de fora, detesto ambientes fechados.

- Esteja aqui vinte para meia noite.

- Pode deixar.

Todos abandonam o cenário, as luzes principais se apagam, no topo da árvore um belo anjo, descendo pela magnânima verde, repleta de galhos, chegamos a sua base, onde um urso de pelúcia, um boneco quebra nozes e uma caixa musical, com manivela se destacam, essa começa a se mover, ressoando música infantil. 

O boneco animatrônico sorridente se senta.

 

Anabel está em seu camarim, frustrada ela olha para o espelho, não é um espelho qualquer, é um espelho dividido em três partes, que revela todos os detalhes de sua pele, ela se olha fixamente, mais preocupada do que encantada.

A concentração da moça se quebra com batidas na porta, Anabel as ignora e segue se olhando, onde pode ver a porta se abrindo e Ash entrando no camarim dela.

- Agora não.

Ele fecha a porta e senta-se atrás da atriz, a observando.

- Eu disse…

- Eu ouvi, também ouvi o que você disse no SET, então, o que está acontecendo?

- Nada!

- Nada não te deixa tão para baixo.

- Estou ficando velha.

- Isso é ridículo…

- Sim, é ridículo se pensarmos em termos normais, uma pessoa de trinta anos está começando sua vida, mas uma atriz. estou parada aqui nesse show infantil, quando for muito velha vão se livrar de mim. E depois, para onde vou?

- Você vem comigo.

- Para outro show?

- Desculpe se não sou bom o suficiente.

- Não é isso, olha… desculpe, eu só… não sei.

- Tudo bem.

Ash caminha até Anabel, que se deixa abraçar por ele, repousa sua cabeça no peito do diretor, em seguida o beija.

Do lado de fora do camarim o animatrônico observa a cena pelo buraco da fechadura, seu olho se move, ajustando o ângulo, em outra sala Pedro assiste a cena em uma tela, captada pelo olho do boneco.

- Vai, tire a roupa dela.

Pedro não vê a porta atrás dele se abrindo, porém ninguém entra, ao menos nenhum humano entra, a porta se fecha.

Pedro olha assustado, mas não vê ninguém, ele pretende voltar a suas atividades, quando encontra um urso de pelúcia sentado, olhando pra ele.

- Como você chegou aqui?

Atrás dele o quebra nozes crava sua baioneta na nuca do operador de animatrônico, o urso de pelúcia segura o controle remoto do boneco feliz.

 

Kate está em seu camarim, sentada no sofá, com os dois pés sobre uma mesinha, mascando chiclete, ela olha para o teto “se eu vazar alguns nudes, posso receber alguma atenção?”, ela afasta a blusa do figurino e olha seus seios, mas desiste.

- Que ideia idiota.

- Qual ideia é idiota?

Erin se encontra parada na porta do camarim, olhando para ela, a jovem atriz se senta assustada.

- O que você está fazendo aqui?

- Estou esperando seus stories.

- Que saco!

- Pense nos cifrões, sua boneca foi a mais vendida do natal.

- Provavelmente alguns quarentões pervertidos também compraram.

- O dinheiro deles vale como qualquer outro.

- Isso porque não tem nenhum incell se maturbando pensando em você, vestida como criança de dez anos.

- Pare de reclamar e trabalhe um pouco.

Kate se deita no sofá, enquanto produtora vai embora, ela esperneia um pouco, bate com uma almofada no sofá e se levanta.

- É hora de entreter meus pedófilos.

 

Fred fuma um cigarro, olhando para o pôster do programa estampado em uma parede, Leleca e Paçoca sorriem felizes, sem problemas, se amando, Fred é um sorriso irônico.

A noite está deserta, é raro encontrar Hollywood deserta, mas a noite de natal parece ser uma exceção.

Um barulho chama sua atenção, ele olha para o lado e se depara com o bonecão sorridente.

- O que é isso?

O bonecão agarra sua cabeça, batendo com ela contra a parede, Fred tenta se soltar, esmurrando o boneco, mas seu corpo é duro e resistente. O boneco aperta a cabeça de Fred, que explode e seu olho salta da órbita.

 

Erin entra em sua sala, encontrando um pacote fechado, ao lado está um homem de uniforme.

- Quem é você?

- Nicolau, o estúdio mandou trazer uma coisa - ele mostra a boneca da Kate que segura com sua mão - eles querem que a nova boneca apareça em destaque ao ligar a árvore.

- Boa ideia - ela recebe uma mensagem em seu celular - a Kate está fazendo uma live promocional no cenário da árvore, por que você não leva a boneca para ela.

- Feliz natal, senhora.

- Espere, o que é isso - ela aponta o pacote.

- Não faço ideia, estava ai quando cheguei.

- Tudo bem.

 

Kate, está a frente da árvore, com o celular em mãos:

- Feliz natal amiguinhos! Estão todos felizes? Eu estou muito, muito, muito animada! Daqui a pouco vamos ligar essa linda árvore. E vocês, vão assistir? Espero todos.

Ela desliga o celular, quando se assusta com Nicolau, que sorri mostrando a boneca paçoca para ela.

- O que é isso?

- É você.

- Fala sério.

- Desculpe, o estúdio que que a boneca apareça quando a árvore for acesa.

-E você veio só para entregar isso?

- É meu trabalho, um feliz natal.

- Bem… obrigada.

 

No camarim, Anabel e Ash estão dando uns amassos, o diretor aperta a bunda dela, a virando de costas, ela rebola sobre seu pênis, enquanto ele agarra os peitos dela sobre a roupa.

- Você sabe que isso não é muito profissional.

- Já imaginou o público vendo a Leleca assim?

- Não posso borrar a maquiagem, nem sujar o vestido.

- Você é durona.

Ela se solta, senta-se na mesa, abre as pernas e beija de leve Ash.

- Podemos brincar, mas não posso aparecer em um programa infantil, com cara de quem acabou de ter um orgasmo.

 

Em sua sala, Erin abre o pacote em sua mesa, dentro desse ela retira uma caixa de música, sorridente a executiva gira a manivela, a música ecoa pela sala, a manivela para de girar.

- O que?

A tampa se abre, um palhaço demoníaco, com dentes pontiagudos, sai de dentro da caixa e morde o rosto de Erin.

Ela grita, tropeça e cai, seu nariz e lábio superior foram arrancados, o sangue jorra, a dor e o desespero se alternam, quando palhaço de mola desliza até ela.

Erin tenta fugir, quando o palhaço pula em seu estômago, abrindo um buraco com os dentes, começando a devorar a executiva pro dentro.

 

Kate, Anael e Ash ouvem os gritos, o casal se separa e saem do camarim correndo, eles se encontram com Kate a frente da sala de Erin, o sangue da executiva escorre pelo chão.

Os três se exprimem para olhar pela porta, no chão o corpo de Erin jaz sobre uma poça de sangue, seu cadáver começa a se mover, algo parece estar dentro dele, ondas se proliferam.

Kate leva a mão a boca, com nojo, ela controla o vômito, Anabel tenta ir até o corpo, mas é impedida por Ash, que olha com censura.

O corpo se move mais forte, o peito de Erin se abre, de onde sai o brinquedo palhaço, que devorou as entranhas dela.

Os três gritam e saem correndo até a entrada principal, a porta está trancada, a fechadura presa por raízes de árvore anormalmente duras.

Ash tenta quebrar as raízes, quando o boneco sorridente o ataca, começando a enforcar o diretor.

Anabel salta nas costas do bonecão, tentando libertar seu amado, Enquanto Kate se afasta, a menina teve uma ótima ideia, indo até o extintor de incêndio do estúdio.

Anabel chora em desespero, Ash está quase sem ar e o boneco não faz menção de solta-lo.

O impacto surpreende Anabel, que cai no chão. Kate atinge a cabeça do boneco sorridente com o extintor de incêndio, a garota prepara outro golpe “isso é por emperrar a minha carreira”, ela acerta novamente, rachando a cabeça de plástico, que cai no cão convulsionando.

- Eu odeio figurino infantil!

Ela acerta novamente a cabeça do bonecão.

Anabel ajuda Ash a se levantar, esse segura a atriz de dezoito anos, a afastando do boneco.

- O que vamos fazer?

- O machado - a garganta de Ash ainda doía e era difícil falar - o machado de incêndio.

Os três correm até a parede, onde sabem que uma mangueira de incêndio fica ao lado de um machado, Kate tem dificuldade em correr com o extintor de incêndio, mas se recusa a soltar sua arma.

Os três passam na frente da árvore, quando Ash tropeça em alguma coisa, é um cabo de energia que liga a câmera.

O urso de pelúcia aparece a frente dele, seu rosto sorridente e simpático muda para uma expressão feroz, dentes pontiagudos e garras crescem, o urso fica de pé, atingindo quase um metro de altura.

Kate acerta o urso com o extintor, dessa vez não surge feito, seu recheio de pelúcia não sofre com o impacto.

A árvore de natal chacoalha, Anabel não acredita no que vê, o anjo da árvore voa até Kate, erguendo a menina do chão.

O extintor cai no chão do estúdio explodindo, o anjo leva a adolescente até a arvore, onde ela grita em agonia.

Anabel segue com o plano inicial, tentando alcançar o machado, Ash tenta se levantar, quando recebe uma patada do urso.

O diretor sente o sangue escorrer por seu rosto, a carne da sua face esquerda está dilacerada, o urso assume postura de ataque, desferindo outro golpe.

Por instinto Ash tenta se proteger com seu braço esquerdo, a força do urso arranca seu membro, o diretor tenta se arrastar, mas começa a entrar em choque pela dor e perda de sangue, mesmo assim ele sente quando o urso começa a comer.

Anabel corre gritando e acerta as costas do urso com o machado, espuma voa, o anjo vem voando até ela, mas Anabel é mais rápida, atingindo o anjo.

O urso rosna, Anabel dá as costas, correndo até a porta, onde desfere uma machadada na raiz que prende a porta, sangue começa a escorrer.

O bonecão feliz segura os braços de Anabel, sua face semi destruída mantém o sorriso no rosto, a atriz vê a sombra do urso se formar sobre ela.

A pelúcia demoníaca rasga as costas dela, envolve a perna da atriz, a puxando até a árvore, o bonecão feliz a segue.

 

É meia noite, em todo o país as crianças se sentam na frente da televisão, famílias interrompem momentaneamente sua confraternização para assistir ao programa, avós, pais e tios sorriem para seus netos, filhos e sobrinhos, que tem em mãos bonecas de Paçoca e do bonecão sorridente.

Em todas as televisões uma música divertida começa, o slogan do programa surge, começa a contagem regressiva, as crianças (e alguns adultos felizes) contem junto.

 

A transmissão começa.

 

dentro do estúdio o urso aponta a câmera para o cadáver de Anabel ao lado do bonecão feliz, com a cara destruída, se move com dificuldade e crava a boneca no estômago da atriz morta.

Gritos ecoam da árvore de natal gigante.

Kate é arremessada no cão, a câmera foca na adolescente, que mesmo machucada tenta se arrastar, ela vê a câmera ligada “socorro!”, chorando “alguém… me ajude” ...

duas raízes saem da árvore, cada uma envolve uma das pernas da garota, que  é elevada, a câmara acompanha, o bonecão feliz dança e aplaude.

Kate grita de dor, suas pernas são afastadas, as raízes puxam em sentidos diferentes, Kate berra como nunca fez na vida, um ruído a acompanha, mais um grito e a garota é partida ao meio pela árvore, suas entranhas caem perante a câmera, o bonecão dança.

 

As crianças, os pais, os tios e os avós não acreditam no que acabaram de ver, chocados ficam sem reação.

 

FIM 

domingo, 11 de dezembro de 2022

Krampus

 


Uma multidão ovaciona aquele homem, elegante, íntegro, educado e justo, esse homem é Donald Hope, senador, que agradece em um discurso rápido:

- Gostaria de agradecer a “todes” por me confiarem uma missão, a missão da igualdade e da inclusão. No meu mandato anterior 30% do meu gabinete era formado por minorias, eu fui o primeiro político a ter uma mulher trans na minha equipe. Agora, em mais quatro anos, vamos “juntes” em busca de um mundo mais igual e repleto de amor.

A imagem de Donald desfoca na televisão do hotel, enquanto o político atravessa o hall sorridente, ele para e posa para uma foto ao lado de uma eleitora negra e acima do peso. Ao entrar no elevador ele constata estar sozinho com sua bela segurança Deborah.

- Você viu o tamanho dela? Como alguém fica assim?

- Muito bacon e manteiga.

- HAHAHA! Você é desalmada.

- Apenas falo a verdade.

Ele acaricia a bunda dela.

- Quando você transa com uma mulher daquelas você tem dois orgasmos, um natural e o outro quando ela sai de cima de você.

O elevador para na cobertura, os risos do senador Hope podem ser ouvidos, as portas se abrem e seu assessor de campanha o recebe sorrindo.

- Edward.

- Margaret alimentou o seu twitter.

- Quem?

- A mulher trans.

- Os posts dele são bons. Me garantiram mais quatro anos.

- Ela criticou um comediante, que fez uma piada sobre uma mulher preta e gorda.

- E?

- Um milhão de likes e oitocentos mil compartilhamentos em algumas horas.

- Eu amo essa Margaret, se eu não fosse morrer de nojo por beijar um homem comia ela.

Rindo Hope entra na suite, acompanhado de Edward e Deborah, onde o Coronel Lee, o principal investidor da campanha, o aguarda.

O coronel se levanta e aplaude o senador, que agradece com um sorriso carismático.

 

No lado de fora a neve cai de forma mais intensa, com ela a noite, ao fundo a lua cheia revela uma estranha silhueta, ou deveria dizer estranha em qualquer outra época do ano, um trenó puxado por renas.

 

Dentro do quarto de hotel Donald se diverte com Coronel Lee, enquanto Deborah observa a neve cair pela janela, sua expressão denota alguém atento e meticuloso.

Edward sussurra algo no ouvido do senador, que denota surpresa, o assessor move a cabeça confirmando, porém, seu sorriso seria suficiente. O senador explode em risada, o que atrai a atenção dos demais.

- Meu querido assessor, Edward, acaba de me informar que a Disney entrou em contato, eles querem fazer uma cinebiografia.

- Parabéns senador…

- Não Edward, diga parabéns presidente Hope.

Lee em silêncio, assustado.

- Ora, você não pensou que eu o convidei aqui, na noite de natal, apenas para agradecer e dividir os lucros?

- Presidente é um passo muito grande.

- Precisamos sonhar grande, meu amigo, você não sonha? Essa é a hora de saber quem está comigo.

Lee leva sua mão ao queixo, seu olhar vai ao longe, como se ponderasse rapidamente os prós e contras, após alguns minutos de silêncio ele toma a palavra:

- Uma campanha presidencial é muito mais cara, além disso sua plataforma não é tão atraente.

- Quantos netos você tem?

- Três.

-Pergunte para eles quais seus ídolos, o que eles defendem, o que eles dizem – ele volta seu olhar para o assessor - Edward?

- O elenco de “O Homem Mosquito”, próximo blockbuster do verão, retuitou os três últimos posts do senador Hope.

- Só existe uma plataforma em política, fazer o eleitor se sentir especial. As pessoas querem ser heróis, mas ninguém quer fazer nada para alcançar esse status – ele se seve de mais champanhe - Estamos na era da opinião. O importante é o que você diz, basta criar a narrativa certa, apresentar heróis e vilões e pronto.

- Mesmo assim…

- Mesmo assim não é o suficiente, todo o herói precisa de um vilão, alguém para ser destruído. Que monstro melhor do que aquele que reflete quem eu sou? Eis o valor da hipocrisia! as pessoas bancam os heróis, os puros e altruístas e destroem todo mundo que os desmascare. É isso que eu ofereço aos meus eleitores, o passe livre para a superioridade.

A campainha do quarto toca. Deborah abre a porta, se deparando com um funcionário do hotel, com uma plaquinha de identificação: “Nicolau”, o homem é excessivamente sorridente e simpático, o que incomoda a segurança.

- Pois não? 

- A Convidada do senador está aqui, junto com o serviço de quarto.

Deborah se afasta, enquanto Nicolau entra no quarto, empurrando um carrinho com champanhe e um prato protegido em uma cúpula, para não esfriar, Nicolau rebola de forma cômica e cartunesca, a lá Jerry Lewis, seguido por uma mulher elegante.

Edward paga o homem que agradece e sai do quarto.

Pouco acima deles, no telhado do hotel, um trenó aterrissa, dois pés pesados posam na neva, ao invés de botas são coturnos, ao invés da roupa vermelha, com borda branca de lã, uma túnica vinho suja, esfarrapada.

Seus passos são pesados, sons de correntes ecoam a cada passo, um som oco, pesado, a criatura possui mais de dois metros e meio, suas mãos são garras decompostas, sua cabeça coberta por um gorro sujo e esfarrapado, um focinho de bode prolifera, com baba escorrendo pelos dentes.

Nicolau está no elevador, o mostrador digital pisca para um símbolo, voltando aos numerais desconhecido, ele olha para cima e sorri.

 

Dentro do quarto Edward escreve um texto sobre respeito a mulher, enquanto isso Lee e Hope assistem a stripper rebolando sobre uma mesa, ela desce rebolando e abre o sutiã.

- Como eu queria chupar essas tetas!

- Sirva-se, elas estão pagas, coronel.

Deborah assiste a tudo entediada, quando um ruído atrai sua atenção, apenas ela e Edward parecem ter ouvido, a moça faz um sinal quase imperceptível e vai investigar.

Ela caminha com cuidado até uma porta de vidro dupla, que dá para uma piscina da cobertura do hotel, atualmente congelada, ela acende as luzes do exterior, observando com cuidado.

Uma moita se move, ela olha curiosa, retira uma arma de choque de sua calça, com um movimento rápido a arma se transforma em bastão, ela abre a porta de vidro e caminha até a moita, preparada para fritar um Paparazzi, quando um elfo demoníaco salta sobre a garota, que grita.

Dentro do quarto ninguém ouve nada por causa da música alta e da distração peituda.

Deborah tenta afastar a criatura de cima dela, a mulher rola no chão, sendo arranhada, tendo seus cabelos puxados e evitando ser mordida.

Ela fica sobre o Elfo, conseguindo socar a criatura, no quarto golpe a criatura morde sua mão, Deborah grita, rolando pelo chão, o Elfo salta sobre ela, tentando atingir seu pescoço, a segurança olha em volta, encontrando sua arma de choque, que ela alcança e eletrifica o Elfo.

Assim que o Elfo cai no chão, tremendo por causa do choque, ela o eletrifica novamente, depois senta a porrada nele “seu filho da puta, vou enfiar esse bastão no seu cu” e de fato ela começa a virar o Elfo de bruços, quando sua atenção é voltada para Krampus, que está sobre o telhado, olhando para ela.

Krampus salta e aterrissa no chão congelado, Deborah assume postura de luta, girando o corpo e atingindo um chute no peito de Krampus, que dá um passo para trás. Deborah faz outro movimento rápido atingindo o focinho de Krampus com a parte eletrificada de seu bastão.

O demônio natalino fica bravo, ele agarra o braço da segurança e a joga longe, em seguida olha para as portas de vidro, que estão abertas.

Dentro do quarto a Stripper veste botas de couro e uma calcinha, ela está sentada de pernas abertas, enquanto Lee acaricia seus seios.

- Um feliz natal, Coronel! 

- Feliz natal, presidente.

Hope se vira para cumprimentar Edward, mas esse desapareceu, o político faz uma careta, ainda com seu copo na mão caminha, levemente cambaleando, a procura de seu assessor, um ruído lhe chama atenção.

Donald entra na suíte e encontra Edward amarrado na cama com correntes, “Edward?” Os Elfos surgem, um deles rasga o peito do assessor, o sangue se acumula sob sua camisa, Hope grita e tenta correr.

Na sala Lee se levanta, a Stripper cobre os seios, um Elfo salta sobre sua cabeça, ela corre gritando, tentando se soltar, bate de frente com a parede, o Elfo salta de sua cabeça, as pernas da mulher se enfraquecem, seu corpo escorrega, deixando uma mancha de sangue na parede.

outros elfos surgem rindo, Lee saca sua pistola e atira em um deles, explodindo sua cabeça.

Os Elfos mostram os dentes e correm contra Lee, que atira em cada um deles, explodindo os monstrinhos, em seguida olha para Hope e sorri: “Lembre-se do Álamo”.

A parede que separa a sala e o Hall que dá para a piscina é derrubada, Krampus surge rosnando, Lee recarrega sua arma e abre fogo contra o demônio, que recebe todos os tiros sem efeito.

Krampus desamarra uma corrente de seu cinto, na ponta dessa ganchos sujos com restos de carne e pele humana, ele dá um comando em uma língua desconhecida e várias correntes infernais surgem de dentro do quarto, prendendo Lee e o senador Hope, ambos de braços e pernas abertas.

Krampus aproxima-se de Lee, até ficar frente a frente, o coronel vislumbra sobras de uma face de bode demoníaca ocultas sobre o capuz, o cheiro de carne podre é insuportável, o demônio abre sua boca, revelando dentes e uma língua, Krampus lambe o rosto do coronel.

Lee é tomado pela repugnância, a sensação de uma língua áspera em sua face, o cheiro putrefato se amplia, o nojo é substituído pela dor.

Krampus crava o gancho no saco escrotal de Lee, que grita de dor, em um movimento ele ergue o gancho, arrancando o órgão sexuais de Lee.

A última coisa que o senador vê é seu velho e enrugado pênis sendo devorado pelo demônio natalino.

Um grito de raiva ecoa pela sala, atraindo a atenção de Krampus e do senador, esse sorri com esperança, Deborah está de volta, ela grita mais uma vez, furiosa, retira o paletó, para poder lutar melhor, sua camisa mostra marcas de arranhões, ela pega uma cadeira, a destruindo com um chute, ficando com dois pés de cadeiras, que sua como tonfas.

- Vá se masturbar no inferno, bode asqueroso!

Ela corre contra Krampus, dando um salto no ar, desferindo uma voadora no demônio, que cambaleia para trás, Deborah o atinge novamente, dessa vez com a perna da cadeira, ela alterna golpes na cabeça, pescoço e costela.

Mais um movimento rápido, ela atinge a cabeça de Karmpus com um chute giratório, fazendo o demônio se ajoelhar.

O capuz de Krampus cai, revelando um bode preto, de olhos vermelhos, as proximidades da sua boca estão rasgadas, a pele parcialmente decomposta revelam dentes pontiagudos.  Chifres de 50 cm saem de sua testa.

Krampus rosna furioso, Deborah tenta das mais um golpe com a tonfa improvisada, mas o demônio agarra o braço dela, o quebrando com apenas uma mão, enquanto ergue a moça, com a outra garra Krampus segura sua cabeça e fazendo pouca força arranca a cabeça dela, ele joga fora o corpo e guarda a cabeça da moça em um saco de presentes.

- Nós podemos negocias - Donald segue pendurado pelas correntes, Krampus olha para ele, ainda mais furioso.

- Você sabe quem eu sou? Posso te dar qualquer coisa

Krampus ri pela primeira vez, em seguida aponta para ele.

- Eu vim por você, Donald Hope.

Krampus abre sua túnica, revelando um externo e costelas ocas, a pele podre recobre parte do esqueleto, o mais surpreendente está dentro, almas de condenados se agarram aos ossos, gemendo, tentando fugir.

O demônio aproxima-se de Hope, que tenta desviar o olhar, gritando em desespero, Krampus agarra a cabeça dele, perfura os olhos de Hope com seus dedos, o sangue escorre por sua face.

Krampus ergue a cabeça em um orgasmo satânico, ele suga a alma do senador, que se junta as demais almas condenadas, aprisionadas no corpo de Krampus para sempre.

 

FIM

domingo, 4 de dezembro de 2022

O Boneco de Neve

 


As long as you love me so/Let it snow, let snow, let it snow

A tradicional música natalina ecoa pela casa luxuosa de dois andares, uma foto de um casal (ele mais velho) decora a parede. 

Móveis cuidadosamente arrumados, a janela da frente dá para um jardim, coberto de neve, flocos brancos caem em harmonia, um boneco de neve se destaca. A construção infantil é particularmente robusta, com quase dois metros de altura, dois olhos escavados na esfera superior, com ameixas cravadas bem fundo e um nariz pontiagudo de cenoura dão um aspecto inquietante.

O boneco possui outro diferencial, está olhando para casa, geralmente esses bonecos são feitos olhando para a rua, mas esse tem seu campo de visão voltado para a grande janela da frente, observando o que acontece dentro da casa.

Dentro da residência Wanda termina de se arrumar, ela fecha o zíper de um vestido vermelho, decotado. Um pouco sexy demais para um natal em família, felizmente para ela aquele não seria um natal em família.

A loira cantarola “Let snow, let it snow”, se olha no grande espelho, ajeita o seu decote, analisando os fartos seios e a cintura fina: “Todo o caminho da casa estará quente”.

Ela sorri de forma maliciosa, quando ouve a campainha tocar, uma última olhada no espelho, que termina no vislumbre de um porta retrato, de Wanda com seu marido na Itália, uma viagem especial e divertida. Seu sorriso desaparece, ela o deita com a fotografia para baixo e desce as escadas correndo, quando a campainha toca novamente.

Wanda chega à porta, olha pelo olho mágico, seu sorriso desaparece, ao abrir a porta se depara com um homem de uniforme.

- Boa noite.

- Boa noite madame e feliz natal. Sou Nicolau, da companhia elétrica…

- Nicolau?

Ela não consegue esconder a expressão de estranhamento, já o homem parecia estar acostumado.

- Eu nasci na noite de natal e meus pais pensaram que seria uma boa homenagem, o que não funcionou. Além dos anos de bullying, ganhava apenas um presente de natal e aniversário.

- Sinto muito.

- Obrigado, bom madame trago más notícias, a nevasca causou avarias no sistema de fornecimento de eletricidade, mas estamos trabalhando nisso.

- Teremos um natal a luz de velas?

- Espero que não, mas as luzes podem piscar algumas vezes, então não se preocupe e use trancas manuais, além do sistema de segurança habitual.

- Muito obrigada e feliz natal.

- Obrigado.

Nicolau já estava voltando para seu carro, quando interrompe a caminhada, gira sobre os calcanhares e fala alto, quase gritando, mas mantendo sua educação.

- Lindo boneco de neve.

- Como?

- Lindo boneco de neve.

- Obrigada, acho que as crianças da vizinhança o fizeram.

Nicolau entra no carro e parte, Wanda caminha pela calçada, sentindo os flocos de neve nos seus braços nus, ela olha o boneco de neve com cuidado, algo a assusta nele.

- Pensei que as crianças dos vizinhos estivessem viajando.

Ela olha em volta, de fato muitas casas estavam com luzes apagadas, a excessão de um vizinho distante, nessa vizinhança as casas são grandes, com belos e largos jardins, visitar a casa mais próxima demanda uma pequena caminhada.

Por que as crianças do vizinho iriam tão longe para fazer um boneco de neve? Sem resposta Wanda deixa sua sensação de lado e entra na casa, onde estava quente, ela olha para o quadro pendurado na parede, relembrando uma conversa de uma semana atrás volta a sua mente:

 

- Eu sinto muito querida, queria um natal em família, mas os chineses não são ligados em Jesus.

- Não tem problema, sei que é seu trabalho.

Ele beija sua esposa, que retribui com os olhos abertos.

 

Sua memória é cortada com o som da campainha, Wanda abre a porta, onde vê Brad.

O jovem e bonito Brad, o musculoso e charmoso Brad, que a beija enquanto a envolve em seus braços, a girando contra a parede, enquanto bate à porta com seu pé.

Os dois se beijam, com Wanda prensada contra a parede, enquanto Brad aperta a cinturinha dela, Wanda acaricia os cabelos dele, fazia tempo que não se sentia tão excitada, tão desejada, recuperando fôlego ela fala.

- Boa tarde.

- Feliz natal.

A loira se desvencilha, afastando o corpo sarado de seu amante, porém não consegue ir muito longe, Brad a envolve a encoxando contra a parede, beijando seu pescoço, enquanto acaricia os enormes seios dela, os dois se beijam, com Brad a jogando contra a parede, uma de suas mãos adentra o decote, tirando o seio dela para fora, a outra adentra o vestido.

- Calma… Eu me arrumei toda.

- E está deliciosa.

Ele a vira de novo, se ajoelha, leva suas mãos para debaixo do vestido de Wanda, retirando sua calcinha devagar, ela morde os lábios, excitada e ansiosa, Brad começa o sexo oral.

A loira estica os braços para cima, tentando se segurar em alguma coisa, mas não encontra nada, suas pernas ficam bambas, enquanto ele explora sua intimidade com a língua.

- Ai… quanto tempo…

Ele se afasta, se sentando no sofá, Wanda retira a calcinha, anda até ele, abaixando a calça do rapaz e montando sobre seu membro.

Ela cavalga com força, segurando o sofá com firmeza, Brad abaixa de uma vez o vestido dela, olhando seus seios, “eu sonhei com eles”, o rapaz acaricia chupando os belos seios da moça, que reclina seu corpo para trás em um orgasmo.

Algum tempo depois ela deixa o corpo cair para o lado, cansada. Os dois se olham e trocam um beijo apaixonado.

- Estava com saudade.

- HAHAHA eu percebi, também estava, querido. Teve problemas?

- Não, avisei que estava sem voos para essa semana.

As luzes se apagam, os dois olham assustados em volta, Wanda levanta-se com alguma dificuldade e veste novamente o vestido.

- Um homem da companhia elétrica veio aqui mais cedo, ele disse que as luzes poderiam apagar, vou acender algumas velas.

- Wanda - ele espera a loira olhar para ele - você está linda. Adorei o vestido.

Ela sorri feliz e vai para a cozinha, enquanto Brad veste sua calça. A bela cena de um casal apaixonado tinha um espectador não autorizado, o boneco de neve está próximo a janela, imóvel, com sua expressão neutra, uma boca ligeiramente aberta e olhos profundo, quase imperceptíveis “assistiram” a cena de sexo.

Na sala de jantar Wanda acende algumas velas, as colocando sobre a mesa, Brad observa feliz, quando um forte barulho atrai a atenção dos dois.

- A porta - Brad corre até a porta da frente, para o desespero de Wanda, que tenta correr atrás dele.

- Não!!!!!

- O que foi?

- Não saia!

Wanda alcança seu amante, ela agarra seu braço e o coloca de lado, o ocultando da janela.

- E se alguém ver você?

- Desculpe.

Ela abre a porta da frente onde vê o boneco de neve tombado, sua cabeça estava estatelada contra a porta da frente, o restante do corpo igualmente caído, Wanda sai na calçada, olha para os dois lados da rua, não vê nada, nenhum rastro ou ser vivo. Enfim entra na casa, secretamente satisfeita por aquele boneco assustador ter se desmontado.

- O que aconteceu?

- O boneco de neve tombou, provavelmente era muito grande,

 

Algumas horas passaram, o jantar se tornou um amontoado de pratos sujos, a luz finalmente volta, iluminando a casa e a rua, as luzes de natal iluminam o boneco de neve, reconstruído, parado a frente da porta da cozinha.

O telefone de Wanda toca, ela atende.

- Oi querido.

Brad olha de soslaio.

- Tudo quieto, eu esquentei um pouco de peru que encomendei.

Brad sorri de forma diabólica, lentamente se aproxima de Wanda, que distraída com o telefone só o percebe, quando suas mãos envolvem sua cintura.

- Não precisa se desculpar - ela tenta afastar as mãos de Brad - eu apoio você, além disso o natal é só mais uma data - Brad segura os seios dela sob o vestido, beijando seu pescoço - mais tarde vou ver um filme, sim quando você voltar compensamos - Brad levanta o vestido dela, encoxando a bunda nua de Wanda, que estremece - Não é nada. Deve ser interferência por causa da neve - ela contém um gemido - te amo.

Ao desligar ela olha brava para seu amante, que ignora, deitando a loira com força sobre a mesa, um barulho forte ecoa na casa vazia, ela geme de prazer, quando sente seu vestido ser erguido até a cintura, Brad a penetra, com força, Wanda geme.

Ele faz forte, com a fúria da paixão, Wanda cerra seus dedos na mesa, seu corpo erguido sobre a madeira fria, Brad improvisa um rabo de cavalo nela e puxa sua cabeça com violência, a mão é arqueada para trás, enquanto geme de prazer, ela grita tendo orgasmos. A luz cai mais uma vez.

- Vou tomar um banho quente.

Enquanto Wanda sobe as escadas, Brad fecha o zíper da calça, ele começa a retirar a mesa, com intenção de lavar a louça.

Ao entrar na cozinha Brad escorrega, caindo no cão molhado. Ele olha em volta, sem descobrir de onde veio a água.

O rapaz tenta se equilibrar, percebendo que a água vem da parte de baixo da porta trancada.

Atrás dele o boneco de neve toma forma, os buracos de seus olhos estão ainda mais fundos, com dois pontos negros, intensos e cruéis.

Brad sente algo estranho atrás de si, tremendo o pior se vira, “WTF?” quando vislumbra o boneco de neve, ele dá um passo cuidadoso até a construção infantil, estende seu braço direito até o boneco, tocando a esfera do meio.

O rapaz vasculha sua mente em busca de alguma explicação, quando constata que o boneco é gelado, feito de neve, suas dúvidas se ampliam, logo tudo cessa, a única sensação é a dor lancinante.

A esfera do meio do boneco se abre em uma boca com dentes de gele, fechando em torno da mão de Brad, decepando seu braço com uma mordida.

Ele cai no cão gritando de dor, o sangue jorra do que sobrou de seu braço, borrifando o chão e o boneco de neve, que parece se mover.

Wanda desce as escadas assustada, trajando apenas um roupão, suas fantasias mais sombrias não a prepararam para o que vê: Brad caído, com o braço decepado, na altura do cotovelo, com sangue jorrando para todos os lados.

A cena é chocante por definição, nada se compara com o que Wanda vê a seguir, o boneco desenvolve braços, erguendo um machado de gelo, com o qual começa a golpear Brad, que grita enquanto é esquartejado.

O sangue respinga no Boneco de neve, que abre sua boca, sorvendo o líquido escarlate, Brad grita em desespero, Wanda sobe as escadas correndo, tropeçando, em choque e desespero, ela se tranca no quarto, sem conseguir pensar. Algo faz seu coração parar, os gritos de Brad cessam.

- Meus Deus… - ela começa a chorar, com o corpo contra a pesada porta de madeira, Wanda tranca a porta - o que eu faço?

Ela escuta um som familiar, seu celular tocando, o som vem de longe, do andar de baixo da casa, mais especificamente da mesa de jantar, onde acabara de ter o melhor orgasmo de sua vida com Brad.

Wanda é retirada de seus devaneios, com uma sensação familiar e desagradável de água fria. Ela olha para baixo, onde vê um “rio” de água fria escorrendo para dentro de seu quarto.

Seus olhos demonstram o horror e incredulidade ao ver o boneco de neve se formar a frente dela, o ser parece sorrir, uma boca repleta de dentes de gelo se fazem.

A loira se desesperar tentando abrir a porta que trancara, um dardo de gelo atravessa a parede, Wanda abre a porta, fugindo pelo corredor, uma segunda lança de gelo atinge a parede.

Wanda rola escadas abaixo, machucando seu pé, ela manca até a mesa de jantar, onde alcança seu celular.

- 190

- Socorro! Ele matou Brad, está descendo as escadas.

- Por favor se acalme.

- AHHHH! Ele está olhando pra mim, no andar de cima, está me vendo, não consigo andar.

 

As sirenes do carro de polícia são ouvidas a distância, uma viatura faz a curva derrapando, de dentro da viatura os dois policiais veem Wanda se jogar pela porta da casa, se arrastando na neve, só de roupão.

A viatura estaciona e os dois policiais saltam da viatura, um deles abraça a loira, que balbucia palavras indecifráveis, o segundo saca sua arma, entrando na casa.

- Ele matou Brad

O policial a ajuda a se levantar, a sentando na viatura, quando os dois ouvem tiros, seguidos por um grito de dor.

Wanda grita, tentando se soltar, mas o policial a fecha dentro do carro e entra na casa, o agente da lei paralisa de medo, quando vê seu parceiro sendo devorado por um boneco de neve, suas pernas haviam desaparecido, o sangue escorre pelo chão, da cintura para cima seu rosto preserva uma expressão de horror.

O barulho de ossos sendo moídos.

O cadáver do policial é devorado pelo boneco de neve, que arremessa uma lança de gelo, que atravessa a cabeça do policial.

De dentro do carro Wanda assiste a cena e grita de terror, o boneco de neve desliza sobre a água gelada, ao atingir a calçada coberta por neve esse se ergue, uma lança de gelo atravessa o carro, saindo do chão.

Wanda abre a porta, se joga no chão e tenta correr, o boneco apenas assiste a cena, prestando atenção no comportamento de sua vítima.

Wanda cambaleia ao ver uma casa se acender, a energia voltou, ela aumenta o passo, um sorriso de esperança surge, a porta está próxima, quando uma forte dor a interrompe.

a neve sob seu pé bom se transforma em um grilhão com setas pontiagudas atravessando seu pé.

Wanda cai no chão, sentindo a neve sob ser corpo parecer viva, ela é levada até o boneco de neve, que abre sua boca, desenvolvendo dentes pontiagudos e serrilhados, ela grita, mas ninguém ouve.

Dentro da casa onde Wanda buscava ajuda um garoto está empalado por um tronco de gelo, seus pais dilacerados, a árvore de natal coberta por sangue, os gritos de Wanda mudam, ficam desesperados, agudos, finalmente ela se silencia.

 

FIM